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quarta-feira, 16 de março de 2011

Amor depois dos 40?


Venho percebendo que, nos últimos tempos, temos recebido muitas mensagens de mulheres com idade acima de 40 anos, na maior parte dos casos divorciadas (algumas tiveram longos casamentos) ou mesmo viúvas. A questão trazida é quase sempre a mesma: é possível se relacionar novamente com a idade que têm e após uma separação?

A dúvida e toda a insegurança são compreensíveis, já que muitas tiveram longos casamentos e estão “recomeçando” agora. Têm, portanto, dúvidas sobre o que fazer, como agir, e mesmo sobre sua capacidade de amar, ser amadas e se relacionar novamente. Apesar disso, sempre que vejo a pergunta se repetir, outra pergunta me vem à mente: “por que não?”.

Vivemos em uma época em que a juventude é muito valorizada, de maneira que vem crescendo em grandes proporções a quantidade de pessoas que se submetem a tratamentos e cirurgias para preservar a juventude, retardar ou evitar o envelhecimento. Nos meios de comunicação, a juventude é exaltada como a oitava maravilha: “jovem” é sinônimo de “belo”, “interessante”, “saudável”, “forte”... O jovem é frequentemente visto como aquele que pode tudo, transpõe barreiras, é livre para fazer escolhas e modificá-las conforme sua vontade.

Toda essa exaltação ao jovem tem seu corolário: se o jovem é “isso tudo”, quem não é jovem é o quê? Geralmente a “não-juventude” está associada ao “feio”, “desinteressante”, “doente”, “fraco”... Desta maneira, conforme a idade vai avançando, muitas pessoas começam a se sentir impotentes. Acham que não podem fazer isto ou aquilo por não terem mais 20 anos. Pensam que recomeçar é somente para os mais jovens, que a idade para isso já passou. Por pensarem dessa maneira, aí sim acabam se parecendo com o estereótipo do velho. Assim, não foi a idade que a tornou velhas, mas sua maneira de pensar.


Voltando então ao nosso assunto inicial, o que pensar do amor após os 40? Em primeiro lugar, para que ele aconteça é preciso abandonar o estereótipo que descrevi. É preciso se sentir bela, interessante e capaz de amar novamente. Acima de tudo, é preciso lembrar que o amor após os 40 tem muitas vantagens. Vejamos quais são elas.

Jovens são “belos” e “saudáveis”, porém têm muitas dúvidas. Passam por fases de muitas indefinições que podem gerar muita angústia. Não sabem bem quem são, o que querem fazer, quem querem ser. Pessoas com mais idade tendem a ter maior maturidade: já fizeram escolhas consideradas “cruciais”, sabem bem quem são e do que gostam. A vida já não é mais vista como uma aventura, tão interessante quanto assustadora. Tudo tende a ser pensado com maior tranquilidade, ainda que dúvidas e inquietações nunca deixem de existir.
A juventude, ao mesmo tempo em que é “livre para amar”, tem muitos tabus. Quanto mais jovem, geralmente maior é a quantidade de “regras” a serem seguidas: “pode isso, não pode aquilo”. Muitas vezes abandona-se um amor ou deixa-se de vivê-lo por não ser “bonito” ou por “não pegar bem”. A maturidade traz maior segurança quanto às escolhas. O importante passa a ser não mais a opinião dos outros (embora ela sempre tenha seu peso), mas a própria felicidade. O olhar dos outros – negativo ou positivo – deixa de ser crucial.

A experiência de vida traz a segurança de que sobrevivemos às perdas. Se, ao terminar um namoro, um jovem sente-se “como se fosse morrer”, a maturidade modifica essa sensação. A perda é menos arrebatadora. Ainda que haja sofrimento, sabe-se que não é o fim do mundo, e que será possível viver sem o outro. Da mesma maneira, dificuldades no relacionamento, que, quando se é jovem, podem ser vistas como cruciais, tendem a ser vistas de maneira mais amena após os 40. Já se sabe quais são os problemas “realmente graves”, e quais são aqueles que o tempo resolverá.

Minha intenção não é fazer aqui uma apologia da maturidade ou argumentar sobre o que é “melhor”. Não há idade melhor, cada uma tem suas vantagens e desvantagens. O importante é não se prender às desvantagens, como se elas fossem impedir qualquer coisa, e saber fazer bom uso das vantagens. Por isso, respondo a pergunta dessas muitas mulheres que nos escrevem: sim, é possível amar e se relacionar após os 40. É possível ser feliz no amor, ainda que as experiências anteriores possam ter sido frustrantes. Mais do que se apegar ao que deu errado em relacionamentos anteriores, é preciso saber aprender com a experiência e usá-la em seu favor. Por isso, concluo com um bom conselho: sintam-se lindas e livres, estejam abertas a novidades, e logo estarão amando novamente!
Este artigo foi escrito por:


Dra. Mariana Santiago de Matos
Psicóloga

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